O setor de serviços é o maior da economia alemã, gera 70% do PIB nacional e emprega o maior número de pessoas. A tendência é de que ele se torne cada vez mais importante. Comércio e turismo são destaques.
Com sua política de preços baixos, o Aldi é um dos mais populares supermercados alemães
O setor de serviços, ou terciário, é o maior da economia da Alemanha, sendo responsável por cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) e ocupando mais de 72% da mão-de-obra do país. Ele se divide em diversos subsetores, incluindo o comércio, a hotelaria, os transportes e os mercados imobiliário, financeiro e de seguros.
A importância do setor terciário cresce ininterruptamente desde o início dos levantamentos do Departamento Federal de Estatísticas (Destatis), em 1950. Naquele ano, os serviços eram responsáveis por 32,5% dos empregos. A indústria era a maior empregadora da época, ocupando 42,9% da mão-de-obra. A situação se inverteu no início dos anos 1970, quando o setor terciário se consolidou como o maior empregador do país, na comparação com os setores primário e secundário.
Comércio e Turismo
O comércio atacadista emprega 1,2 milhão de pessoas e movimenta em torno de 700 bilhões de euros por ano. Já o varejo oferece 2,7 milhões de postos de trabalho e tem um faturamento anual de 400 bilhões de euros. O comércio também disponibiliza 180 mil vagas para qualificação profissional.
Mais de 1 milhão de estabelecimento comerciais estão registrados nas Câmaras de Indústria e Comércios (IHKs). O comércio é responsável por aproximadamente 10% do PIB da Alemanha.
Outra importante área do setor de serviços é o turismo, que gera de forma direta ou indireta cerca de 2,8 milhões de postos de trabalho. O faturamento anual gira em torno dos 150 bilhões de euros. O turismo também oferece um grande número de vagas para qualificação profissional: são 100 mil em todo o país. Em 2007, o número de pernoites aumentou 3% em relação ao ano anterior e chegou a 360 milhões.
Perfil do setor varejista
Os estabelecimentos de pequeno e médio porte – mesmo que pertencentes a redes nacionais e internacionais – dominam as ruas e galerias comerciais. Até há pouco tempo, constituíam exceções nesse quadro as lojas de departamentos, como Galeria Kaufhof, Karstadt e Kadewe, algumas das quais centenárias. Já shopping centers como os que existem no Brasil são raros na Alemanha.
Mas há hipermercados e lojas especializadas em móveis, brinquedos, jardim e construção, entre outras. Eles localizam-se sobretudo em áreas de expansão nas periferias das cidades.
Somente desde junho de 2003 o comércio pode funcionar aos sábados até as 20 horas
O comércio varejista de gêneros de primeira necessidade é dominado por grandes grupos nacionais, como Metro e Rewe, que possuem várias redes de supermercados com unidades de pequeno e médio porte, além de cadeias de lojas de departamento, eletrodomésticos e materiais de construção.
O Rewe é um dos maiores grupos de varejo e turismo da Europa. Na Alemanha, ele emprega 197 mil pessoas em mais de 9,5 mil estabelecimentos, incluindo as redes de supermercados Rewe e Penny Markt, o hipermercado Toom e várias agências de turismo. O faturamento anual do grupo ultrapassa os 30 bilhões de euros.
Com sede em Düsseldorf, o grupo Metro é outro importante nome do varejo da Alemanha. Fazem parte do conglomerado o hipermercado Real, o supermercado Extra, as lojas de eletrônicos Media Markt e Saturn e a loja de departamentos Galeria Kaufhof. O Metro emprega 280 mil pessoas em 150 países do mundo e faturou 26,3 bilhões de euros na Alemanha em 2007 (64,3 bilhões de euros em todo o mundo).
A rede Aldi é o exemplo mais bem-sucedido dos chamados discounters, que oferecem pouca variedade de mercadorias e marcas, mas a preços baixos, graças à venda em grande quantidade. Como atrativo, anunciam promoções de curto prazo de produtos que não fazem parte do sortimento fixo, como roupas, brinquedos, computadores e eletrodomésticos.
O Aldi foi dividido entre seus dois fundadores, Karl Albrecht e Theo Albrecht, em Aldi Nord e Aldi Süd. O Aldi Nord possui 2,5 mil mercados no norte e no leste da Alemanha. O Aldi Süd é composto por 1,6 mil mercados no sul e no oeste do país. O grupo faturou 38,6 bilhões de euros em 2006.
Peculiaridades
Karstadt, uma das principais redes de lojas de departamentos da Alemanha
É comum turistas e imigrantes recém-chegados falarem da má qualidade dos serviços na Alemanha. Um bom exemplo é o comércio varejista. Enquanto em vários países do mundo – como Estados Unidos, Brasil e na vizinha Holanda – as lojas possuem amplo horário de funcionamento, na Alemanha elas devem obedecer horários bem restritos.
Em regra, os comerciantes só podem abrir suas lojas de segunda a sábado das 8h às 20h, em alguns casos até as 22h. O que não deixa de ser uma grande evolução, pois ainda em 1997 o comércio varejista funcionava de segunda a sexta-feira somente até as 18h30 e sábado apenas até as 14h. Comércio aos domingos permanece sendo um tabu, assim como lojas abertas 24 horas por dia. Pouquíssimos estabelecimentos – como os postos de gasolina – recebem autorização para tal.
O excesso de normas engessava o comércio a ponto de coibir a concessão de descontos aos consumidores fora dos períodos de liqüidação previstos em lei. O decreto que prejudicava a livre concorrência foi abolido em 2001. Agora ainda falta os vendedores e compradores alemães acostumarem-se a pechinchar e negociar preços.
Atualizado em julho de 2008