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Europa & Mundo | 14.10.2005

Aliança contra a fome na Cúpula Ibero-Americana

Chefes de governo de 22 países reunidos em Salamanca, na Espanha, procuram saídas para a pobreza na América Latina. Lula tenta minorar conseqüências do embargo à carne brasileira.

 

A luta contra a pobreza e a corrupção, assim como a criação de um sistema de emergência e solidariedade em caso de catástrofes naturais, são os temas centrais da 15ª Cúpula Ibero-Americana, iniciada nesta sexta-feira (14/10) em Salamanca. Participam do encontro chefes de Estado e governo de 19 países latino-americanos – dentre os quais o presidente Lula –, assim como de Andorra, Espanha e Portugal.

Antes da conferência, o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, declarara que, diante dos 100 milhões de latino-americanos vivendo abaixo da linha da pobreza, ele iria conclamar uma "aliança contra a fome". Zapatero propôs ainda a procura de mecanismos para negociar a troca de parte da dúvida externa desses países por investimentos no sistema de ensino.

Outros temas na agenda do encontro são: o problema da imigração; o fortalecimento das instituições democráticas na América Latina através do combate à corrupção; garantias para a indenpência dos meios de comunicação; e uma maior participação das mulheres na política. Outro tópico importante é o incentivo à educação como "motor para o progresso econômico na América Latina".

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Zapatero quer cúpula de acordos e negociações em SalamancaBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Zapatero quer cúpula de acordos e negociações em SalamancaA Aliança Ibero-Americana existe desde 1991, mas até agora seus encontros anuais de cúpula têm primado por atritos e inefetividade, além da eterna dúvida se Fidel Castro compareceria ou não. Os impulsos para os participantes latino-americanos permaneceram quase nulos. Zapatero promete mudar essa imagem: a 15ª será uma cúpula dos acordos e negociações, livrando a aliança da estagnação.

Sem dúvida: a Espanha utiliza o encontro mais uma vez em prol da própria política externa, e cuida zelosamente para continuar o mais importante interlocutor na Europa, sobretudo para os pequenos países americanos. Porém, Günther Malhold, da Fundação Ciência e Política (SWP), sediada em Berlim, confirma: "A cúpula deste ano, na Espanha, marca um recomeço estrutural".

Com a criação do Secretariado Geral para a Aliança Ibero-Americana, Zapatero dispõe agora de um eficiente instrumento político, comandado pelo ex-diretor do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Enrique Iglesias. Segundo o professor Wolfgang Muno, da Universidade de Mainz, Iglesias é um "peso-pesado político e sua atuação poderá ser extremamente positiva para a aliança".

Alternativas para o neoliberalismo selvagem

O recomeço da Aliança Ibero-Americana é impulsionado pela mudança de governo na Espanha e em alguns países da América Latina. Muno analisa: "Seria demais dizer que existe uma liga dos presidentes de esquerda na América do Sul, porém há alguns pontos em comum. Sobretudo na crítica à Área de Livre Comércio das Américas, com que sobretudo a Venezuela e o Brasil estão insatisfeitos."

Ainda segundo o perito da Universidade de Mainz, também os presidentes latino-americanos de centro-esquerda se uniram na busca de uma alternativa ao neoliberalismo puro. Neste ponto, a Europa assume uma função-chave, com o chefe de governo espanhol ocupando um papel de mediador e impulsionador.

Segundo o jornal espanhol El País, o documento final da cúpula destacará a cooperação e projeção internacional da Ibero-América, com base na expansão do ensino, progresso técnológico, estabilidade trabalhista e progresso social.

Lula defendendo a carne brasileira

Lula tenta reduzir os estragos nas relações comerciais com a UEBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Lula tenta reduzir os estragos nas relações comerciais com a UEO presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, também participa da conferência de dois dias em Salamanca. Seu giro de seis dias pela Europa, iniciado em Portugal, representa uma bem-vinda pausa em meio às pressões nacionais em torno da crise do PT e ao debate sobre renúncias e cassações.

Após a cúpula, Lula segue para Roma e Moscou. Ele aproveita esta viagem para minorar os estragos econômicos causados pelo escândalo da febre aftosa, que levou a União Européia a suspender as importações de carne do Brasil.

Esse embargo atinge 60% das exportações brasileiras do produto. A Rússia é também um importante parceiro do Brasil, havendo importado 385 mil toneladas de carne entre outubro de 2004 e setembro de 2005.

 

(av)

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