Na origem do povo alemão estão as tribos germânicas. Referências literárias a elas aparecem já antes da era cristã. Mas se passaram séculos até que elas formassem uma nação, já que no início não tinham unidade política.
Germanos enfrentaram romanos (ilustração de R. Bergt)
O povo alemão surgiu num processo que se estendeu por vários séculos, e suas origens perdem-se no tempo. A palavra Deutschland (Alemanha) compõe-se de dois elementos: enquanto land significa terra, deutsch, que só apareceu no século 8º, designava inicialmente a língua falada na parte oriental do império dos francos, que atingiu seu apogeu no reinado de Carlos Magno. Os teutões, um povo sobre o qual pouco se sabe, podem ter sido sua origem. Consta que eles desapareceram depois de derrotados pelo comandante romano Caio Mário em 102 a.C. O nome latino Germania é derivado do alemão Gehrmann ou Wehrmann, que significa "homem de guerra" ou "homem de lança".
As primeiras referências aos germani são do século 1º a.C. Embora provavelmente designasse populações célticas, e não germânicas, a expressão logo passou a ser empregada em obras literárias. O historiador romano Tácito e o imperador Júlio César forneceram os primeiros dados sobre os costumes dos germanos, povos bárbaros organizados em tribos, que viviam em florestas e não sabiam o que eram cidades. A vida e os costumes das diversas populações germânicas foram descritas por Tácito em sua obra Germania. No livro Sobre a Guerra Gálica, César descreve a luta contra Ariovisto, apresentado como "rei dos germanos" e grande ameaça para "toda a Gália".
O rio Reno, que os romanos cruzaram duas vezes na tentativa de subjugar a Germânia, tornara-se, já na época de César, o limite de dois mundos distintos: o latino mediterrâneo e o nórdico germânico. O imperador romano Augusto desistiu da expansão até o rio Elba (no leste da atual Alemanha) depois que o príncipe Armínio, da etnia germânica dos queruscos, derrotou três legiões na Floresta de Teutoburg. Por ter conseguido deter os romanos, Armínio – ou Hermann, como é chamado em alemão – é considerado o primeiro herói "nacional" da Alemanha.
Demorou muito, contudo, para que os povos germânicos constituíssem uma nação. Esse movimento começou com a constituição do grande Estado franco merovíngio e sua conversão ao cristianismo durante o reinado de Clóvis (481 a 511 d.C.), episódio que está ligado também à origem da França. Três séculos depois, pouco depois da morte de Carlos Magno (814 d.C.), o império começou a se desintegrar devido a partilhas sucessórias. Formou-se um império ocidental e um oriental – a fronteira política correspondia mais ou menos à fronteira lingüística entre o alemão e o francês.
Aos poucos, os habitantes do império oriental desenvolveram um sentimento de união. A palavra que a princípio designava a língua passou a qualificar o povo que a falava e, depois, a região por ele habitada: Deutschland. A partir desse momento, pode-se dizer que a Alemanha adquiriu uma história própria, no contexto da Europa centro-ocidental.
Bem cedo estabeleceu-se a fronteira ocidental da Alemanha, que permaneceu relativamente estável. Já a fronteira oriental mudou várias vezes ao longo dos séculos. No ano 900, ela mais ou menos acompanhava os rios Elba e Saale. Nos séculos seguintes, o território habitado pelos alemães foi ampliado em direção ao leste, um movimento que só veio a estacionar em meados do século 14.