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União Européia | 01.07.2008

Alemanha e Polônia congelam ratificação do Tratado de Lisboa

Chefes de Estado se recusam a assinar documento mesmo após aprovação parlamentar. Críticos interpretam atitude do presidente Köhler como "sinal errado" para a Europa. Para presidente polonês, assinatura é "supérflua".

Depois da Alemanha e da República Tcheca, também a Polônia anunciou que congelará o processo de ratificação do Tratado de Lisboa. Até o fim do ano, a União Européia (UE) pretende definir o rumo a ser tomado com relação ao documento, um acordo encontrado pelos 27 países da União Européia para reformar e viabilizar a governabilidade do bloco a partir de 2009, após sua rejeição pelos irlandeses em um plebiscito.

O presidente da Alemanha, Horst Köhler, anunciou que não ratificará o documento – aprovado com grande maioria nas duas câmaras do Parlamento alemão – até que sejam divulgadas as decisões do Tribunal Constitucional Federal, onde o partido A Esquerda e o deputado social-cristão Peter Gauweiler, entre outros, haviam apresentado queixa.

Interrompido por "caminhos diplomáticos"

"Diante de tantos pedidos de liminares, o presidente atendeu a uma recomendação do tribunal", informou a assessoria da presidência na noite da segunda-feira (30/06). Embora o órgão em Karlsruhe assegure que pretende acelerar o julgamento, é tido como improvável que a decisão final seja divulgada ainda neste ano. Tampouco está claro se e quando haverá uma audiência.

Em 2006, Köhler já havia se negado a assinar a fracassada Constituição Européia, que antecedera o atual Tratado. Na época, o chefe de Estado alemão alegara motivos semelhantes.

O partido A Esquerda, que havia solicitado uma liminar a fim de evitar que o presidente assinasse o documento antes da decisão do Tribunal, retirou a queixa. O órgão teria chegado ao mesmo objetivo "por caminhos diplomáticos", explicou o chefe da bancada, Gregor Gysi.

Axel Schäfer, especialista em temas europeus do Partido Social Democrata (SPD), criticou no jornal Handelsblatt a atitude de Köhler como um "sinal errado". "Diante da recusa dos irlandeses no plebiscito, isso é água no moinho dos céticos", acrescentou.

Também o presidente da Comissão para Assuntos Europeus do Bundestag, Gunther Krichbaum (CDU), disse ao mesmo jornal que esperava outra atitude "devido ao efeito político", alegando que Köhler poderia ter assinado o documento e o segurado até que saísse a decisão de Karlsruhe.

Tratado "supérfluo"

Na Polônia, o presidente Lech Kaczynski disse ao jornal Dziennik que, "no atual momento, a questão do Tratado é supérflua", uma vez que seria difícil prever o futuro do documento.

Para o chefe de governo, não se pode levar a sério o argumento de que a União Européia não seja capaz de funcionar sem ele. Kaczynski lembra que houve opiniões semelhantes também quando fracassou a Constituição Européia. "Mas a UE funcionou, funciona e continuará funcionando."

O Parlamento polonês, que aprovara o Tratado já no começo de abril, exigiu repetidamente que Kaczynski assinasse o documento, sem o que não é possível concluir o processo de ratificação. Alertado de que o gesto seria um sinal em favor da Europa, Kaczynski respondeu que "na Europa não se faz política através de sinais ou de conversas telefônicas".

 

Agências (rr)

 
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