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Alemanha | 29.09.2008

Opinião: "Eleição foi um terremoto na Baviera"

A CSU despencou de 60 para 43% de aprovação popular nas eleições estaduais da Baviera, perdendo a maioria absoluta pela primeira vez em 46 anos. Fracasso terá conseqüências também em Berlim, comenta Peter Stützle.

Foi um terremoto na Baviera. A maioria absoluta da União Social Cristã (CSU) parecia uma lei natural. Agora ela se foi e o partido precisa encontrar um parceiro de coalizão – situação que só os bávaros mais antigos conhecem, ainda dos anos 50.

As ondas sísmicas deste abalo chegam até Berlim. A chanceler federal Angela Merkel pretende continuar no cargo após as eleições legislativas em um ano, mas não mais na impopular coalizão de governo com os social-democratas, e sim com os liberais. Para isso, não só estes terão que se fortalecer, mas também a aliança formada por sua União Democrata Cristã (CDU) e pela CSU. Mas na Baviera aconteceu exatamente o contrário, e a CSU sofreu perdas significativas.

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Na verdade, tampouco o recém-nomeado candidato a chanceler dos social-democratas, o ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, ficou numa situação melhor após o terremoto. Apesar da queda do partido governante CSU, seus partidários bávaros tiveram a proeza de obter um resultado ainda pior que o do último pleito, o pior de sua história no estado.

Mesmo que seus dois parceiros ideais de coalizão – os verdes e os liberais – tenham conquistado força política, tal aliança funcionaria apenas se o SPD se fortalecesse – e ele acaba de se tornar um pouquinho mais fraco.

Um dos fatos mais marcantes evidenciados pela eleição na Baviera é que continua a erosão dos dois grandes partidos políticos, a CDU/CSU e o SPD – um processo já visível em todas as eleições estaduais dos últimos anos e também nas eleições legislativas de 2005. Marcante também é o fato de que, no geral, as tendências políticas permaneceram praticamente as mesmas. Eleitores insatisfeitos do SPD votam no partido A Esquerda e, em parte, nos Verdes, assim como eleitores insatisfeitos da CDU/CSU votam no Partido Liberal (FDP) e – no caso da Baviera – no partido Eleitores Livres (FW). Este último cultiva o princípio do representante popular desligado de qualquer linha partidária e é formado em grande parte por ex-membros da CSU. Se os membros do FW não concorrerem às próximas eleições legislativas, muitos de seus eleitores poderiam retornar à CSU.

Para a grande coalizão em Berlim, é essencial agora fazer sua lição de casa até o fim. Diversas decisões importantes terão que ser tomadas nas próximas semanas, entre elas a reformulação do imposto sobre herança. Ainda não se pode prever como a CSU reagirá no âmbito federal – se com teimosia ou disposta a negociar. Se as tensões na coalizão crescerem, tal aumentaria ainda mais a frustração dos eleitores, acelerando a erosão dos grandes partidos. De modo que possivelmente não restaria ao SPD e à CDU/CSU nada além de uma nova grande coalizão, já que os votos não seriam suficientes para nenhuma outra combinação.

 

Peter Stützle (rr)

 
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