Alemanha
O Esporte
Na Alemanha, o esporte tem importância especial. Não só no aspecto competitivo, com os atletas nacionais destacando-se mundialmente. A atividade esportiva também faz parte da vida cotidiana dos cidadãos.
O esporte é extremamente popular na Alemanha, seja no nível profissional, seja no nível amador. Um em cada três alemães é sócio de um clube esportivo. As transmissões esportivas, principalmente de futebol e da Fórmula 1, estão entre as principais atrações da televisão, e os maiores jornais diários do país abrem espaço para o jornalismo esportivo. O esporte gera em torno de 240 mil empregos diretos no país, segundo cálculos do próprio setor.
Nenhuma organização social alemã representa mais pessoas do que a Federação Alemã de Esportes Olímpicos (DOSB), que surgiu em 2006 com a fusão da Confederação Alemã de Esportes (DSB) e do Comitê Olímpico Nacional. Com sede em Frankfurt, a DOSB possui 95 entidades filiadas, que representam cerca de 90 mil clubes, que por sua vez somam cerca de 27 milhões de associados, ou um terço da população do país. Esses números tornam a DOSB a maior organização esportiva do mundo.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Élber e companheiros comemoram gol do BayernA modalidade esportiva que reúne o maior número de filiados é o futebol. A Federação Alemã de Futebol (DFB) conta cerca de 26 mil clubes associados, que reúnem 6,3 milhões de pessoas. Ela é seguida pela Federação Alemã de Ginástica (DTB), com mais de 5 milhões de membros, distribuídos por mais de 20 mil associações. A DTB engloba inclusive academias de ginástica, clubes de caminhadas, jogging e dança esportiva.
Para incentivar as atividades esportivas, a DOSB (ou sua antecessora DSB) promove campanhas desde 1970. Segundo a entidade, cerca da metade da população alemã pratica esportes, enquanto um terço dela realiza atividades físicas nos clubes. Através de campanhas com o slogan "Esporte Para Todos", a DOSB procura incentivar não só jovens bem treinados e talentosos, mas também idosos.
Na Alemanha também ocorrem torneios tradicionais do esporte mundial, como a Semana da Vela de Kiel e o Concurso Hípico Internacional Oficial de Aachen (CHIO).
Futebol
O futebol é o esporte mais popular da Alemanha. A entidade máxima do esporte no país é a Federação Alemã de Futebol (DFB), que conta 6,3 milhões de filiados. A DFB é responsável pela seleção alemã, tanto a masculina quanto a feminina, e está entre os maiores membros da Fifa se for considerado o número de associados.
A Alemanha foi o primeiro país do mundo a ser campeão mundial masculino e feminino. Os homens venceram as Copas do Mundo de 1954, 1974 e 1990. As mulheres foram campeãs em 2003 e 2007. Outros títulos comemorados são as três Eurocopas conquistadas pela seleção masculina, em 1972, 1980 e 1996, e as seis competições européias vencidas pela seleção feminina (1989, 1991, 1995, 1997, 2001 e 2005). Nenhum outro país europeu possui tantos títulos continentais. A Alemanha foi ainda sede das Copas do Mundo de 1974 e 2006 e será sede do Mundial feminino de 2011.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Milhares acompanharam a Copa 2006 em telõesA principal competição esportiva do país é a Fussball-Bundesliga, nome oficial do Campeonato Alemão de Futebol. Ela reúne 18 clubes na Primeira Divisão e 18 na Segunda Divisão. As duas divisões são disputadas em turno e returno, todos contra todos, e o campeão é o clube que somar o maior número de pontos ao final do torneio.
Os três piores classificados da Primeira Divisão são rebaixados para a Segunda, e os três melhores desta sobem para o grupo de elite. Os quatro clubes com pior desempenho da Segunda Divisão caem para as ligas regionais. A partir da temporada 2008/09, o Campeonato Alemão passará a ter uma Terceira Divisão.
Outro torneio muito popular é a Copa da Alemanha, que reúne 64 clubes, incluindo todas as equipes da Primeira e da Segunda Divisão e ainda equipes amadoras. O torneio é disputado no sistema mata-mata e tem como principal atrativo os confrontos entre os maiores clubes do país e adversários modestos, mas motivados pela oportunidade de vencer um campeão alemão ou europeu.
Entre os principais e mais tradicionais clubes do país estão o Bayern de Munique, o Hamburgo, o Werder Bremen, o Borussia Dortmund, o Bayer Leverkusen e o Stuttgart.
Desde o pioneiro Tita, em 1987, vários craques brasileiros brilharam nos gramados alemães. Entre os principais estão Élber (que é o maior artilheiro estrangeiro da história da Bundesliga, com 133 gols), Ailton, Amoroso, Marcelinho, Diego e Lúcio.
Automobilismo
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Michael Schumacher, o maior recordista da F1O automobilismo é muito popular entre o público alemão graças às transmissões pela televisão de competições internacionais, principalmente da Fórmula 1. O mais bem-sucedido piloto da história da F1 é o alemão Michael Schumacher, o que contribuiu para tornar o esporte ainda mais popular no país.
Schumacher é o recordista de vitórias na Fórmula 1, com sete campeonatos. O alemão, que disputou 250 corridas, detém vários recordes da competição, como o maior número de vitórias em grandes prêmios e o maior número de pole-positions.
Handebol
Depois do futebol, o esporte de equipes mais popular da Alemanha é o handebol. A Federação Alemã de Handebol (DHB) é a maior do mundo em número de associados, reunindo mais de 800 mil pessoas e 5,5 mil clubes. A Handball-Bundesliga, o principal torneio alemão da modalidade, é uma das mais disputadas e uma das com a maior média de público do mundo, além de ser freqüentemente apontada como a melhor do mundo.
Um impulso extra para o desenvolvimento do esporte no país foi dado pela Copa do Mundo de Handebol, cuja edição de 2007 foi realizada na Alemanha e vencida pelo selecionado alemão. Entre os maiores clubes de handebol da Alemanha estão o Kiel, o Magdeburg Gladiators, o Hamburgo e o Gummersbach.
Tênis
O tênis foi muito popular na Alemanha no final dos anos 80 e início dos anos 90, graças ao sucesso de tenistas como Boris Becker e Steffi Graf. Becker foi o mais jovem tenista campeão em Wimbledon, em 1985, e ao mesmo tempo o mais jovem a vencer um torneio do Grand Slam. O feito fez Becker ser eleito o esportista do ano e transformou o tênis no segundo esporte mais popular da Alemanha na época, atrás apenas do futebol. Becker venceu 49 torneios em simples, incluindo seis Grand Slams, e 15 de duplas.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Os multicampeões Boris Becker e Steffi GrafSteffi Graf foi uma das melhores tenistas da história, comparável apenas à americana Martina Navratilova e à francesa Suzanne Lenglen. Ela é a única tenista a vencer os quatro torneios do Grand Slam e os Jogos Olímpicos num mesmo ano, em 1988. Graf foi 22 vezes campeã em torneios do Grand Slam e liderou o ranking mundial durante 377 semanas consecutivas.
Depois de Becker e Graf, o tênis alemão não produziu mais nenhum fenômeno mundial, o que contribuiu para o declínio da popularidade do esporte. Na Alemanha, as associações e os clubes de tênis estão reunidos na Federação Alemã de Tênis (DTB), que reúne 1,6 milhão de associados e quase 10 mil clubes. É a maior associação de tênis no mundo.
Ciclismo
O ciclismo teve grande popularidade na antiga Alemanha Oriental. O sucesso na Alemanha reunificada veio apenas com as vitórias de ciclistas alemães em torneios internacionais. Contribuíram para a popularidade do esporte nomes como Jan Ullrich, Erik Zabel, Jens Voigt e Dietrich Thurau, que se destacaram no cenário internacional a partir de meados dos anos 90.
Ullrich, por exemplo, foi o primeiro – e até hoje único – alemão a vencer a Volta da França. Denúncias de que ele estaria envolvido num escândalo de doping fizeram com o que o esportista desistisse de participar da edição de 2006 do torneio e acabasse sendo dispensado pela sua equipe, a T-Mobile.
Em 2007, novas denúncias e confissões de doping por parte de ciclistas e de profissionais das equipes colocaram o esporte na pior crise de sua história, com reflexos também na Alemanha. A T-Mobile anunciou o fim do seu patrocínio ao ciclismo em novembro de 2007. A equipe T-Mobile era considerada uma espécie de seleção do ciclismo alemão.
Natação
A natação é outra modalidade esportiva muito popular na Alemanha. A principal associação é a Federação Alemã de Natação, à qual estão associados 2,2 mil clubes e em torno de 600 mil pessoas.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Nadadora alemã Franziska van Almsick em AtlantaEntre os grandes nomes do esporte está o alemão Michael Gross, o Albatroz, que conquistou três medalhas de ouro e foi cinco vezes campeão do mundo entre 1984 e 1991. Entre as mulheres, alguns destaques são Franziska van Almsick, que conquistou quatro medalhas de prata e seis de bronze em Olimpíadas, e Britta Steffen, que venceu uma medalha de bronze nos jogos de Sydney.
A natação também foi muito popular na Alemanha Oriental, ainda que hoje se saiba que o país fazia sistemático uso de doping para melhorar o rendimento de seus atletas olímpicos. A principal nadadora do país foi Kristin Otto, que venceu seis medalhas de ouro nas Olimpíadas de Seul, em 1988. Há fortes evidências de que também Otto conquistou suas medalhas com a ajuda de substâncias proibidas.
Esportes de inverno
Num país que possui parte dos Alpes no seu território e um inverno que costuma ser rigoroso, é natural que os esportes de inverno sejam populares. E eles são praticados não apenas pelos alemães, mas também por turistas que vêm ao país apenas para isso.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Esquiador salta em etapa do Torneio das Quatro Rampas em Garmisch-PartenkirchenOs esportes de inverno podem ser praticados na neve ou no gelo. Do primeiro grupo, são muito populares na Alemanha o esqui alpino – por motivos óbvios –, o snowboard, o trenó no gelo, o biatlo e o salto em esqui. No segundo grupo, o destaque vai para a patinação no gelo, o hóquei no gelo e o curling.
Uma diferença importante entre os dois grupos é que os esportes no gelo não dependem das condições climáticas, já que são quase sempre praticados em locais fechados. Já os esportes na neve costumam ser praticados ao ar livre, ainda que haja cada vez mais locais fechados voltados apenas para essas modalidades na Alemanha.
Entre as principais competições que ocorrem na Alemanha estão o Torneio das Quatro Rampas, que acontece anualmente e é organizado também pela Áustria, e o World Team Challenge, torneio de biatlo disputado no estádio do Schalke, em Gelsenkirchen.
Entre os principais nomes dos esportes de inverno na Alemanha estão Georg Hackl, que ganhou três medalhas de ouro e duas de prata no trenó, e Claudia Pechstein, a mais bem-sucedida atleta alemã nos Jogos Olímpicos de Inverno, com cinco medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze na patinação de velocidade.
Jogos Olímpicos
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Claudia Pechstein é a recordista alemã nos Jogos de InvernoOs Jogos Olímpicos têm na Alemanha popularidade semelhante à existente em outros países. A Alemanha participou de todas as edições dos jogos, exceto as de 1920, 1924 e 1948 por causa de seu envolvimento na Primeira e na Segunda Guerra Mundial. Duas edições dos jogos ocorreram em solo alemão: em 1936, em Berlim, e em 1972, em Munique.
Nos tempos da Guerra Fria, a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental levaram para o cenário esportivo a rivalidade ideológica. Isso ficou evidente principalmente nas edições de 1980 e 1984. A Alemanha Ocidental participou do boicote às Olimpíadas de Moscou, em 1980. Em contrapartida, a Alemanha Oriental boicotou os jogos de 1984, em Los Angeles.
A reunificação do país, em 1990, resultou, num primeiro momento, num fortalecimento esportivo, com todos os grandes atletas dos lados ocidental e oriental competindo sob a mesma bandeira. Com isso, a Alemanha unificada comemorou o terceiro lugar nas Olimpíadas de Barcelona (1992) e de Atlanta (1996).
Em longo prazo, entretanto, os efeitos foram perversos. Não só a rivalidade desapareceu, como as qualidades da máquina esportiva do regime comunista alemão-oriental foram desprezadas. Somente após o desastroso quinto lugar na Olimpíada de 2000, os dirigentes nacionais resolveram recuperar algumas das virtudes do bem-sucedido sistema de formação de atletas.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Birgit Fischer após conquistar sua oitava medalha de ouro, em Atenas 2004Como nação unificada, a Alemanha participou 12 vezes dos jogos. Em três oportunidades, 1956, 1960 e 1964, os atletas das duas Alemanhas disputaram os jogos como se fossem uma única nação. Entre 1968 e 1988, Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental formaram equipes separadas. Em 1952, os atletas da Alemanha Oriental não participaram dos jogos. Ainda assim houve duas equipes alemãs, já que, além da Alemanha Ocidental, a parte do território alemão que ainda estava sob ocupação francesa formou uma equipe própria, que não conquistou nenhuma medalha.
Com isso, há quatro registros para a Alemanha no quadro histórico de medalhas. Como Alemanha, o país está em quinto lugar, com 147 medalhas de ouro, 153 de prata e 188 de bronze. A Alemanha Oriental é a sétima colocada, com 153 medalhas de ouro, 129 de prata e 127 de bronze. A Alemanha Ocidental, que para fins olímpicos existiu apenas entre 1968 e 1988, soma 56 ouros, 67 pratas e 81 bronzes e ocupa o 22º lugar. Os atletas que competiram sob o nome de Equipe Unificada da Alemanha entre 1956 e 1964 conquistaram 28 medalhas de ouro, 54 de prata e 36 de bronze.
A atleta mais bem-sucedida é Birgit Fischer, que conquistou oito medalhas de ouro e quatro de prata entre 1980 e 2004 na canoagem.
Última atualização: dezembro de 2007

